28 de Agosto de 2007
Em plena tarde solarenga de verão, enquanto todos os jovens da minha idade estão na praia de corpos estendidos ao sol que nem lagartos no deserto, eu leio o meu livro e descubro que, afinal, os românces não são assim tão pirosos como se diz.Margarida. É este o meu nome !Raramente leio, mas achei piada a um livro com um título de letras douradas que brilhava ao fundo da prateleira da livraria e decidi comprá-lo. Começei a lê-lo hoje mesmo e até estou a gostar. O livro tem história e é disso que eu gosto.Sou uma rapariga de poucas palavras no que diz respeito a mim própria, mas no entanto consigo ser bastante extrovertida e dar-me bem com as pessoas. Apresento um carácter forte mas por vezes incerto. No fundo sou apenas uma rapariga que vive a sua adolescência ao extremo, aproveitando cada segundo dela. Não sou uma rapariga qualquer, nem como qualquer uma rapariga de 16 anos. Não visto saias embora tenha umas pernas morenas e esbeltas, não gosto de maquilhagem e não uso decotes. Não se pode considerar que seja timidêz na maneira de vestir mas sim que é o meu estilo. Uso geralmente t-shirt e calças relativamente largas e uso o cabelo da maneira mais simples possível, ou seja, sem grandes pentiados. Gosto de desportos radicais e jogo futebol com os rapazes. Conheço a vida. Nunca fui uma excelente aluna pelo que conheço a tortura duma reprovação de ano. Também nunca fui um ideal de beleza, como a minha mãe gostava que eu fosse, portanto sei o que é ter uma relação difícil com os pais e apesar de ser social sempre houve quem me olhásse de lado devido ao meu estilo diferente o que me fez conhecer um pouco do que é a discriminação. Conheço também um pouco do mundo das drogas. Fumei o seu primeiro “charro” aos 11 anos e desde então que consumo este tipo de drogas leves. Gosto de loucura e diversão, mas hoje sinto-me cansada. Apetecia-me estar só e aproveitei para ler o livro que tinha comprado. Já li o livro inteiro mas ainda o tenho qui nas mãos. Estou maravilhada com o amor platónico de que lá se falava. Também quero sentir-me apaixonada, quero correr riscos, sentir saudades e até ciúmes. Infelismente não me imagino com ninguém a meu lado. Fechei o livro, pousei-o em cima da minha mesa-de-cabeçeira e saí do quarto rumo à cozinha.Já na cozinha, preparei o meu lanche preferido. Descasquei e cortei fruta aos bocados para uma taça e a seguir deitei-lhe por cima leite condensado. Sempre que eu faço este lanche a minha mãe torce o nariz em sinal de desagrado, mas limita-se a olhar e a ficar calada. Depois de tudo pronto, peguei na taça de frutas e dirigi-me para o meu quarto. Estou muito calma e sei que se ficásse alí a comer ia discutir com a minha mãe pois ela estranha sempre quando estou calma e começava a fazer perguntas, coisa que eu não gosta nada, muito menos de interrogatórios da minha mãe.Sentei-me no meu cadeirão, perto da janela, com a taça de frutas no meu colo e observei ao longe o mar. Do meu quarto é possível ver o mar e eu olho para ele muitas vezes, principalmente quando preciso de pensar. Aquele amor platónico do livro que acabei de ler ficou-me na cabeça. Quero mesmo viver uma história de amor assim e começei a imaginar se alguma vez isso seria possível. Eu quero acreditar que sim e sorrio para o mar como se estivesse a sorrir para um amigo. Comi a taça de fruta, continuei a observar o mar até surgirem as estrelas no céu e adormeci a tentar imaginar-me ao lado de uma pessoa que me fará viver um grande amor.
(Continua...)
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