Texto que escrevi para um concurso literário da minha escola (baseado numa história verídica)
Não havia mais nada em que Sofia conseguisse pensar. Era oficial. Iria deixar o pequeno país onde nascera. Iria deixar todas as pessoas que faziam parte dos seus alegres dias.
Iria mudar-se. Mudaria de país, de casa, de escola, de amigos, de hábitos.
Para Sofia era como se fosse mudar de vida.
Há já muito que os seus pais a tinham avisado que queriam ir para África do Sul, mas ela nunca acreditara, porque na verdade, desde que os pais lhe disseram que queriam mudar-se, já tinham passado muitos anos e isso nunca tinha sido cumprido.
Mas desta vez não seria assim. Esta jovem rapariga tinha a certeza de que desta vez seria a sério e ao aperceber-se dessa terrível verdade, chorava.
Não conseguia imaginar-se sem ouvir os gritos alegres dos seus amigos, não conseguia imaginar-se separada do seu namorado, com o qual já namorava à dois anos, não conseguia imaginar-se sem aquela casa de que tanto gostava.
Mas por mais que chorasse, Sofia tinha consciência de que sair de Portugal seria muito melhor para o seu futuro, tinha consciência que em África do Sul provavelmente teria emprego garantido assim que acabasse o curso, mas também tinha consciência que perder tudo o que conquistara ao longo de todos aqueles anos era um fardo difícil para uma rapariga de 15 anos.
Sofia sempre fora uma rapariga doce, saudável, brincalhona e um pouco tímida mas sempre muito feliz.
Agora esta rapariga já não era a pessoa feliz que outrora fora. Agora era uma rapariga triste, preocupada e desiludida. Sim, desiludida. Desiludida com os seus pais por lhe terem roubado toda a felicidade apenas com aquela notícia.
A primeira pessoa a quem Sofia contara que se iria embora foi à sua melhor amiga Laura.
Sofia queria que fosse ela a primeira a saber pois foi com ela que Sofia passara 14 anos da sua vida. Tinham andado juntas na escola e sempre foram as melhores companheiras, as que mais riam e brincavam, as que sempre se apoiaram mutuamente.
Quando Laura Soube da notícia também ela não queria acreditar. Já há muito que Laura ouvia os pais da sua melhor amiga dizerem que queriam ir-se embora mas nunca pensou que tivessem coragem.
Mas tinham!
Durante meses tudo se passou incrivelmente rápido.
Sempre que Laura ia a casa de Sofia via que, a pouco e pouco, a casa ia ficando vazia.
Era mesmo verdade.
A melhor amiga de Laura ir-se-ia embora de vez e sempre que Laura pensava nisso ficava com um nó na gargante e não conseguiam parar as lágrimas que teimavam em cair.
Também ela nunca se imaginara sem Sofia.
Dia após dia ia chegando a data da partida de Sofia.
Sofia festejou, junto dos seus amigos, o seu 16º aniversário e dois dias depois, fora-se embora.
* * *
Passaram meses e a sua vidanão era, de todo, a mesma.
As saudades apertavam e o facto de não conhecer ninguém em George (cidade onde agora vivia) estava a deixá-la desesperada.
* * *
Passaram ainda mais meses e Sofia tinha uma novidade para contar à sua melhor amiga.
Algo tinha melhorado na sua vida.
Conhecera um rapaz muito especial, um verdadeiro amigo. Ela descrevia-o como: "A única razão de eu aguentar estar aqui! ". Esse rapaz era italiano e também ele tivera de deixar a sua terra. Ele compreendia-a por isso. Tinham ambos passado pela mesma situação.
Ele era também homosexual o que o tornava uma pessoa super doce e sensível, segundo o que Sofia dizia a Laura.
Tornaram-se, então, os melhores amigos e Sofia contava à sua melhor amiga que o adorava e que se não o tivesse por perto não sabia como iria aguentar estar longe dos seus amigos portugueses.
Laura gostava mesmo daquele rapaz e estava fascinada com a sua maneira de ser.
Finalmente esta miuda estava a ser feliz!
* * *
Tinha sido época de testes para Laura e por isso não tivera oportunidade de ir à internet para falar com Sofia, mas agora essa época já tinha passado e as duas amigas estavam finalmente a falar.
Nesta conversa Sofia não demonstrava a mesma alegria. Desta vez estava triste.
O seu melhor amigo de África do Sul tinha-lhe contado que tinha cancro no estômago. Ainda por cima o cancro era galopante o que significava que se fosse extraído de uma zona podia reaparecer noutra e poderia até espalhar-se para outros orgãos e Sofia sabia qual seria o destino daquele rapaz que se tornara seu melhor amigo.
Sabia que ele iria morrer e que iria perdê-lo.
Sofia já não tinha alegria e no seu coração apenas reinava a tristeza e o ódio pelo destino que tinha estragado a vida ao que era agora a pessoa mais importante da sua vida.
Sofia também sabia que teria de ser forte para o ajudar a ultrapassar tudo isto, mas não tinha certezas de se iria conseguir. Apenas tinha na cabeça algo que o seu melhor amigo lhe tinha dito: " Não quero que chores. Quero que sorrias para que eu sorria também e quando me perderes honra a minha memória com uma vida que eu me orgulhe. Vive por mim também. ".
* * *
Meses depois o melhor amigo de Sofia partiu. Ela nunca mais fora a mesma pessoa e desde esse dia que se apercebeu duma coisa.
Apercebeu-se que a vida é curta demais e está cheia de coisas insignificantes pelas quais não vale a pena chorar nem sofrer. O que vale a pena é dedicar cada minuto a fazer as pessoas, que realmente são importantes, felizes.
Não havia mais nada em que Sofia conseguisse pensar. Era oficial. Iria deixar o pequeno país onde nascera. Iria deixar todas as pessoas que faziam parte dos seus alegres dias.
Iria mudar-se. Mudaria de país, de casa, de escola, de amigos, de hábitos.
Para Sofia era como se fosse mudar de vida.
Há já muito que os seus pais a tinham avisado que queriam ir para África do Sul, mas ela nunca acreditara, porque na verdade, desde que os pais lhe disseram que queriam mudar-se, já tinham passado muitos anos e isso nunca tinha sido cumprido.
Mas desta vez não seria assim. Esta jovem rapariga tinha a certeza de que desta vez seria a sério e ao aperceber-se dessa terrível verdade, chorava.
Não conseguia imaginar-se sem ouvir os gritos alegres dos seus amigos, não conseguia imaginar-se separada do seu namorado, com o qual já namorava à dois anos, não conseguia imaginar-se sem aquela casa de que tanto gostava.
Mas por mais que chorasse, Sofia tinha consciência de que sair de Portugal seria muito melhor para o seu futuro, tinha consciência que em África do Sul provavelmente teria emprego garantido assim que acabasse o curso, mas também tinha consciência que perder tudo o que conquistara ao longo de todos aqueles anos era um fardo difícil para uma rapariga de 15 anos.
Sofia sempre fora uma rapariga doce, saudável, brincalhona e um pouco tímida mas sempre muito feliz.
Agora esta rapariga já não era a pessoa feliz que outrora fora. Agora era uma rapariga triste, preocupada e desiludida. Sim, desiludida. Desiludida com os seus pais por lhe terem roubado toda a felicidade apenas com aquela notícia.
A primeira pessoa a quem Sofia contara que se iria embora foi à sua melhor amiga Laura.
Sofia queria que fosse ela a primeira a saber pois foi com ela que Sofia passara 14 anos da sua vida. Tinham andado juntas na escola e sempre foram as melhores companheiras, as que mais riam e brincavam, as que sempre se apoiaram mutuamente.
Quando Laura Soube da notícia também ela não queria acreditar. Já há muito que Laura ouvia os pais da sua melhor amiga dizerem que queriam ir-se embora mas nunca pensou que tivessem coragem.
Mas tinham!
Durante meses tudo se passou incrivelmente rápido.
Sempre que Laura ia a casa de Sofia via que, a pouco e pouco, a casa ia ficando vazia.
Era mesmo verdade.
A melhor amiga de Laura ir-se-ia embora de vez e sempre que Laura pensava nisso ficava com um nó na gargante e não conseguiam parar as lágrimas que teimavam em cair.
Também ela nunca se imaginara sem Sofia.
Dia após dia ia chegando a data da partida de Sofia.
Sofia festejou, junto dos seus amigos, o seu 16º aniversário e dois dias depois, fora-se embora.
* * *
Passaram meses e a sua vidanão era, de todo, a mesma.
As saudades apertavam e o facto de não conhecer ninguém em George (cidade onde agora vivia) estava a deixá-la desesperada.
* * *
Passaram ainda mais meses e Sofia tinha uma novidade para contar à sua melhor amiga.
Algo tinha melhorado na sua vida.
Conhecera um rapaz muito especial, um verdadeiro amigo. Ela descrevia-o como: "A única razão de eu aguentar estar aqui! ". Esse rapaz era italiano e também ele tivera de deixar a sua terra. Ele compreendia-a por isso. Tinham ambos passado pela mesma situação.
Ele era também homosexual o que o tornava uma pessoa super doce e sensível, segundo o que Sofia dizia a Laura.
Tornaram-se, então, os melhores amigos e Sofia contava à sua melhor amiga que o adorava e que se não o tivesse por perto não sabia como iria aguentar estar longe dos seus amigos portugueses.
Laura gostava mesmo daquele rapaz e estava fascinada com a sua maneira de ser.
Finalmente esta miuda estava a ser feliz!
* * *
Tinha sido época de testes para Laura e por isso não tivera oportunidade de ir à internet para falar com Sofia, mas agora essa época já tinha passado e as duas amigas estavam finalmente a falar.
Nesta conversa Sofia não demonstrava a mesma alegria. Desta vez estava triste.
O seu melhor amigo de África do Sul tinha-lhe contado que tinha cancro no estômago. Ainda por cima o cancro era galopante o que significava que se fosse extraído de uma zona podia reaparecer noutra e poderia até espalhar-se para outros orgãos e Sofia sabia qual seria o destino daquele rapaz que se tornara seu melhor amigo.
Sabia que ele iria morrer e que iria perdê-lo.
Sofia já não tinha alegria e no seu coração apenas reinava a tristeza e o ódio pelo destino que tinha estragado a vida ao que era agora a pessoa mais importante da sua vida.
Sofia também sabia que teria de ser forte para o ajudar a ultrapassar tudo isto, mas não tinha certezas de se iria conseguir. Apenas tinha na cabeça algo que o seu melhor amigo lhe tinha dito: " Não quero que chores. Quero que sorrias para que eu sorria também e quando me perderes honra a minha memória com uma vida que eu me orgulhe. Vive por mim também. ".
* * *
Meses depois o melhor amigo de Sofia partiu. Ela nunca mais fora a mesma pessoa e desde esse dia que se apercebeu duma coisa.
Apercebeu-se que a vida é curta demais e está cheia de coisas insignificantes pelas quais não vale a pena chorar nem sofrer. O que vale a pena é dedicar cada minuto a fazer as pessoas, que realmente são importantes, felizes.
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